Dados-chave do ENISA TL 2025

4.875Incidentes documentados
81,1%Ransomware no cybercrime
77%DDoS por volume de ataques
15,2%Violações de dados no cibercrime

Distribuição por tipo de ameaça

O ENISA TL 2025 documenta uma dualidade no panorama de ameaças: em volume de ataques, os DDoS dominam (77% dos incidentes), muitos deles de motivação hacktivista relacionada com conflitos geopolíticos. Em impacto operacional e financeiro, o ransomware domina esmagadoramente.

Distribuição do cibercrime por tipo (ETL 2025)

Tipo de ameaça% dos incidentes de cibercrime
Ransomware81,1%
Violações de dados (data breaches)15,2%

Estirpes de ransomware mais utilizadas na UE (jul 2024 a jun 2025)

A ENISA identificou 82 variantes de ransomware no período. A nível da UE, a Akira foi a estirpe mais utilizada (11,6%), seguida da SafePay (10,1%) e da Qilin (7,5%).

Estirpes de ransomware no setor da indústria transformadora

No setor da indústria transformadora (manufacturing), o cibercrime é a principal ameaça (59,3% da atividade) e a concentração das estirpes é muito maior:

RankingGrupoQuota no setor
#1Akira48,7%
#2Qilin20,5%
#3FOG10,3%

Top ransomware, setor administração pública UE

GrupoShare
NightSpire41,7%
SafePay33,3%
Stormous25,0%

Tendências emergentes identificadas pelo ENISA

Convergência IT/OT

O ENISA TL 2025 assinala a intenção e a capacidade de grupos hacktivistas de visar sistemas OT expostos à internet (por exemplo, interfaces de gestão de OT). Esta ameaça é especialmente relevante para operadores de energia, água e transportes abrangidos pelo Anexo I do DL 125/2025.

Hacktivismo e ataques state-aligned

O relatório documenta crescimento de hacktivismo relacionado com conflitos geopolíticos (Ucrânia, Médio Oriente), frequentemente usando DDoS e defacement como ferramentas de perturbação simbólica. Mais preocupantes são os grupos state-aligned que combinam espionagem com pré-posicionamento para eventual perturbação de infraestruturas.

Decentralização do ecossistema de ameaças

A fragmentação do mercado de ransomware após operações policiais criou um ecossistema mais resiliente, dezenas de grupos menores são mais difíceis de desarticular do que poucos líderes concentrados.

Para o planeamento NIS2: O ENISA TL é a referência de facto para justificar decisões de investimento em cibersegurança perante órgãos de gestão. As entidades devem referenciar os dados relevantes do seu setor ao elaborar a análise e gestão de riscos exigida pelo art. 26.º do DL 125/2025.

Recomendações da NIS2 Portugal para entidades abrangidas

As recomendações seguintes são editoriais: decorrem da leitura do relatório, mas não constam do ENISA Threat Landscape 2025.

  1. MFA phishing-resistant em todos os sistemas de acesso remoto, endereça o principal vetor de acesso inicial.
  2. Patch management estruturado com SLAs definidos por criticidade de vulnerabilidade.
  3. Threat intelligence sharing através das redes ISACs setoriais e CERT/CSIRT nacionais.
  4. Tabletop exercises com cenários baseados nos grupos documentados no TL do setor relevante.
  5. Logging centralizado e retenção de 12 meses para suportar investigação forense pós-incidente.